A disciplina para fazer ideias acontecerem

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The tendencies of having ideas is rather natural, the path to make them happen tumultuous.  Scott Belsky

Não sei por quê me sinto tão atraída por artigos, livros, posts de blog, ou qualquer coisa escrita que fale sobre “disciplinas para fazer algo”. Talvez porque não me considere uma pessoa super-disciplinada (embora esteja longe se ser indisciplinada), e sinto que mais treino em disciplina não faria mal. Talvez porque uma disciplina para fazer algo, com ênfase no “fazer algo” seja particularmente interessante para pessoas ditas “criativas”.

Há muita controvérsia sobre o que define um indivíduo criativo. Para este post em particular, considero que se você se acha uma pessoa criativa, provavelmente é porque é mesmo. E se é uma pessoa criativa, mesmo que não esteja sendo particularmente produtiva no momento, interessa-se por recursos que possam te ajudar a alcançar, ou re-alcançar (será que existe essa palavra?), maior produtividade.

E eis um aspecto interessante sobre pessoas criativas: “produtividade” para elas tem significado à medida em que sentem que conseguem expressar, em alguma dimensão física (incluindo a música, lógico), as ideias que constantemente lhes surgem e agitam seus espíritos. Produtividade significaria então conseguir dar corpo a estas ideias em um ritmo consistente. Claro, isto pode também ter um maravilhoso efeito colateral, que é o de atender às demandas práticas do mundo do trabalho e dos negócios.

Para obter um ritmo consistente de criação, nós sabemos, é necessário disciplina. É aí que chegamos ao ponto. Pessoas criativas não são, em grande parte, disciplinadas por natureza, mas por esforço constante sobre si mesmas. E isso eu acho fascinante. Os caminhos tortuosos que alguém decide por conta própria seguir porque, tendo nascido sem o dom de pelo menos um pouco de auto-disciplina, decidem construí-la sobre si próprios para fazer algo, trazer algo ao mundo.

Scott Belski em seu livro Making Ideas Happen: Overcoming the Obstacles Between Vision and Reality ( Portfolio/Penguin 2012) analisa os resultados de sua pesquisa com centenas de pessoas criativas E produtivas ao longo de seis anos. Para o autor, ter ideias é a parte mais banal, e menos valiosa do processo criativo, pasme você.  Ele nem trata do assunto “ter ideias” em seu livro. O desenvolvimento da capacidade fazer as ideias acontecerem é o fator realmente valioso da equação. Quem poderia contradizê-lo? Quantas pessoas cheias de torrentes de ideias você conhece? Quantas você conhece que têm um ideia fixa, duas, no máximo, de cada vez, e vai materializando-as passo-a-passo? Estas são mais raras. Acredite, mais disciplinadas.

A equação de Belski para fazer ideias acontecerem é:

ideias + organização + forças da comunidade + capacidade de liderança = ideias que se materializam

O foco na definição de ações executáveis a cada passo de seus projetos é um dos princípios fundamentais do livro. Ações executáveis são precisas, bem dimensionadas, têm bem definido os recursos para se realizarem, o tempo que levam para serem executadas, a finalidade de cada uma, o resultado de cada uma, quem deve fazer cada uma.

Eis uma das preocupações que Belsky enuncia logo no início de seu texto:

I’ve always been a bit frustrated with creativity. I would get impatient watching colleagues and friends come up with great ideas only to become distracted by other ideas and the general demands os life. I,ve found the poor odds that anyone who  would actually follow through one idea very upsetting. 

Incômodo foi reconhecer que esta colega ou amiga podia ter sido eu em vários momentos de minha vida. Por outro lado, fiquei ligeiramente envaidecida em lembrar que em vários outros momentos do meu percurso, fui capaz de perseguir minhas ideia e produzir trabalhos bem legais.

Como estive dos dois lados, sinto que é possível relatar algumas interessantes observações sobre os momentos em que fui muito produtiva, e os momentos em que, nem tanto.

Nos próximos posts falarei mais de processos de criação, disciplina, e os altos e baixos da vida de quem se propõe a criar coisas: de textos a edifícios. Por ora, deixo aqui a dica: vale a pena ler o livro de Belsky.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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